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Bibliotecas REALMENTE virtuais!!! dezembro 30, 2006

Posted by The Derbi in Energia, Espaço, Personalidade.
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Madrugada, a luz do sol ilumina o prédio de arquitetura clássica à minha frente. É a biblioteca principal. Entro e não há ninguém lá dentro, exceto alguns monitores ligados, oferecendo informação pontual sobre diversos assuntos relacionados com a profissão e uma caixa para inscrição no voluntariado. Eles precisam de bibliotecários de referência e para o processamento técnico, com duas horas diárias disponíveis
Subo ao segundo andar, dou uma folheada no jornal, tomo um cafezinho, leio um capítulo de Alice no país das maravilhas, ouço o discurso de Martim Luther King num audio-book, procuro uma definição num dicionário e a biografia de Orwell numa enciclopédia. Dou uma volta pelo grande jardim, com jogos infantis e adultos.

Chego a uma casa em estilo vitoriano, no interior uma coleção de clássicos da literatura de mistério e horror e quadros de clássicos do cinema de horror. Consulto o catálogo e encontro games online inspirados em obras de Edgar Alan Poe e H. P. Lovecraft.

Me teleporto para Parvenu Tower (uma biblioteca de 9 andares, cada um representando uma área do conhecimento) onde encontro dois bibliotecários residentes. Converso com eles sobre o funcionamento da cidade e sua organização e recebo um guia para todas as biliotecas e projetos, com todos os pontos de teleporte da cidade. Sem mais perguntas, deixo meus novos amigos e, voando, observo do alto os interessantes lugares de Info Island.

Não, não é um filme de ficção científica retrô. Também não é nenhuma tentativa de prever o futuro das bibliotecas.

Info Island é uma ilha comprada e gerenciada por bibliotecários dentro do game online Second Life. Todos os recursos e lugares descritos aqui podem ser acessados através do jogo, bastando instalar o programa e registrar uma conta gratuita. O pessoal que atende os visitantes são na sua maioria bibliotecários voluntários.

A ilha da informação cresce a cada dia, hoje ela é praticamente um arquipélago, composto por sete ilhas com uma infinidade de recursos, eventos e dicas que seria muito extenso descrever aqui.

Conversando com amigos, percebi uma sensação de desconforto e mesmo desconfiança quanto aos objetivos desse projeto ou quanto a qualidade da informação disponibilizada. Acredito que isso aconteça pela visão geral que as pessoas fazem dos games, tidos, não raramente como divertimento inócuo e passivo, incapaz de flertar com o tipo de informação “séria” que temos em bibliotecas. Para essas pessoas recomendo que visitem Info Island, que façam uma experiência, talves seja a hora de mudar alguns conceitos.

O que temos em Info Island é informação real, livros de verdade em formato digital, eventos reais, palestras, conferências, bibliotecários reais. Um serviço de referência excelente, profissionais inovadores e comprometidos com o projeto (afinal são voluntários).

Daria para argumentar que a forma de acesso à essa informação não é prática, que bibliotecas físicas e bases de dados funcionam melhor, recuperam melhor. Realmente, sem sombra de dúvidas, mas certamente não são tão divertidas!!! Info Island não pretende derrubar os meios de acesso a informação tradicionais nem se tornar uma alternativa a eles.

O que se faz lá é explorar as novas possibilidades de comunicação e convivência do novo ambiente. O mérito do projeto é utilizar essas novas linguagens para atingir um novo público, para divertir e dialogar com um novo tipo de usuário, nem tão fisicamente presente quanto o das bibliotecas reais e não tão ausente quanto o dos opacs e Bases de Dados. Um usuário que, embora à distância, participa ativamente da construção do ambiente e expressa suas necessidades com todo o potencial de comunicação que o meio eletrônico pode proporcionar e com toda a carga semântica de gestos que a presença física permite.

Info Island nunca vai fechar bibliotecas reais ou acabar com revistas eletrônicas ou portais. Vai ter limitações que estas não tem e vai atingir um público que estas não alcançam. Vai servir de complemento às instituições tradicionais e proporcionar algumas horas de divertimento e cultura, a quem se interessar.

A volta do blog de Babel! novembro 22, 2006

Posted by The Derbi in Energia, Espaço, Matéria, Personalidade, Tempo.
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Após exatamente 1 ano e 19 dias sem atualizações, Biblioteconomia de Babel poderia se considerar um blog morto e realmente estava. Entretanto misteriosamente um bibliotecário de Babel bateu lá na porta de casa esses dias e, magro como espantalho, com um olhar cadavérico e fixo, tirando o pó da roupa, me disse:

Vamos lá, me dê uma CDU, um AACR2 e um cafezinho e vamos recomeçar o trabalho! Ah! e chame aquela menina de óculos para ajudar .

Traga também uma pá.

Assustado e surpreendido pela soturna figura, não tive como argumentar. Fui com ele e ressuscitamos a Biblioteconomia de Babel!

Agora no wordpress. Com posts organizados numa adaptação das categorias fundamentais de Ranganathan!

Contando também com mais uma colaboradora: a ilustre Carla Castilhos, also known as Puny! Ela passou por nossa rigorosíssima avaliação por pares e foi convidada pelo excelente trabalho que faz no blog dela.

Bem estamos de térmicas cheias e sem sono, vamos tirar o pó do AACR2!!!

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Biblioteconomia Visceral maio 31, 2005

Posted by The Derbi in Energia, Espaço, Matéria, Personalidade, Tempo.
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Biblioteconomia de Babel pretende ser um espaço para reflexão sobre a formação e atuação de bibliotecários no Brasil e no mundo, os dilemas, os desafios, os problemas e as iniciativas para o desenvolvimento da profissão.

Mais do que isso, pretende promover a discussão de todo e qualquer tema relacionado à informação e ao tratamento que ela recebe, tanto dos profissionais da área quanto da sociedade que consome e gera informação.

O título é inspirado no conto “Biblioteca de Babel“, de Jorge Luis Borges, que foi talvez o maior escritor latino-americano e também bibliotecário. No conto, uma biblioteca infinita, contendo livros com todas as combinações possíveis de letras de todos os alfabetos existentes era o úniverso e seus mistérios provocavam a imaginação e a confusão dos bibliotecários que o habitavam. Este blog é a nossa válvula de escape, nosso manifesto sobre a babel que se tornou a biblioteconomia atual, nossa opinião expressa (à favor ou contra, isto não interessa) sobre o estado das coisas.

Biblioteconomia de Babel é carregado com todas as possibilidades semânticas deste título. Desde o fascínio com acelerada expansão das possibilidades e importância da informação na sociedade, até a ironia quanto a desorganização e falta de comunicação nos cursos de biblioteconomia e entre os profissionais da área.

É feito por estudantes, professores e formados do curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que não querem ficar isentos à essas discussões e que não querem se restringir ao academicismo da retórica universitária ou à inépcia da prática técnica pura.